sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Western Railway - Uma linha férrea inovadora

O sistema ferroviário que abriu caminho à segurança
Desde a sua inauguração, em 1841, que o Great Western Railway se distinguia das outras linhas férreas britânicas - graças ao seu brilhante e inova¬dor engenheiro, de nome Isambard King- dom Brunei.
Numa era de pioneirismo, Brunel apli¬cava técnicas de cunho pes¬soal. Enfrentando a necessidade de abrir o tú¬nel de Box para a linha principal de Londres a Bristol - tarefa perigosa, difícil e dispen¬diosa -, o engenheiro da Great Western executou impecavelmente o trabalho. Diz-se que um dia por ano o sol brilha a todo o comprimento do túnel, de 2800 m - no dia 9 de Abril, data do aniversário de Brunel.
Para fazer a via férrea atravessar o Tamisa em Maidenhead, Brunei construiu uma ponte de tijolo com um arco muito baixo - que os seus colegas consideravam incapaz de suportar o peso de um comboio. No en¬tanto, decorridos 140 anos, a ponte suporta comboios 10 vezes mais pesados e deslo¬cando-se ao dobro da velocidade daqueles que sobre ela passavam no tempo de Bru¬nei.
Enquanto todas as outras companhias co¬locavam os carris a uma distância de cerca de 1,42 m (bitola herdada das primeiras vias para vagões de carvão em Tyneside), Brunei defendia outras concepções. Colocou os car¬ris da Great Western a 2,10 m de distância, largura que permitia às locomotivas e car¬ruagens um ajustamento entre as rodas consideravelmente mais estável. Durante meio século, enquanto nas outras linhas se verifi¬cavam numerosos descarrilamentos, nestes carris de bitola larga circulavam comboios rápidos, à velocidade máxima, sem que pra-ticamente se verificassem acidentes. Durante muitos anos os comboios expressos da Great Western foram os mais rápidos do Mundo.
Mesmo na ocorrência de acidentes, a bi¬tola larga demonstrou garantia de segu¬rança. Em 1847 uma das rodas propulsoras do expresso entre Exeter e Londres partiu-se quando este avançava, a grande veloci¬dade, para um viaduto perto de Southaü sem proteções. No entanto, nem uma única roda saltou dos carris.
Para construir a linha, Brunei teve de en¬frentar - fez com audácia - gravíssimos problemas. Apressando a sua equipa de 1220 operários e 196 cavalos, o incansável engenheiro conseguiu abrir uma passagem de 3200 m de comprimento e 18 de profun¬didade através de Sorming Hill, no Berk¬shire, apesar das chuvas que inundaram as escavações e que já haviam feito desistir 2 empreiteiros.
O único, e provavelmente o maior, dos seus êxitos de engenharia foi a Royal Albert Bridge, em Saltash, na Cornualha, sobre o caudaloso rio Tamar, de 330 m de largura e 21 de profundidade na maré cheia. Como o rio era utilizado para a navegação, Brunei era obrigado a trabalhar de modo a não obs¬truir o canal e a permitir a passagem das embarcações.
O seu projeto final consistiu em 2 arcos de 136,5 m suportados por um pilar central, à altura de 30 m acima do nível da água na maré cheia. Porém, enfrentando a compa¬nhia dificuldades financeiras, Brunei decidiu dispor apenas um troço de linha sobre a ponte. Atualmente, embora esta linha tenha sido substituída pela de bitola estandardizada, a ponte continua a ser de uma só via de Plymouth para o Oeste.
Em Maio de 1859, depois da inauguração da ponte, Brunei contemplou pela primeira e última vez a estrutura terminada. Seriamente afetado por excesso de trabalho, o engenheiro atravessou a sua ponte deitado sobre a plataforma de um vagão.
Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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