segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A última fortaleza dos Íncas

Onde belas mulheres se ocultaram dos conquistadores

Durante mais de 300 anos não foram considerados dignos de crédito os relatos referentes a uma cidade inca perdida, nos Andes Perua¬nos, onde em 1530 se teriam refugiado os sobreviventes da dinastia inca para escaparem à chacina dos conquistadores espanhóis.
Ali, numa depressão oblonga entre dois pi¬cos, os Incas teriam construído o seu derra¬deiro refúgio, uma inexpugnável cidade for¬tificada.
Os exploradores procuraram em vão essa cidade. Percorreram as selvas inóspitas e as colinas próximas da montanha de Machu Picchu e nada de interesse descobriram. De¬cepcionados, abandonaram as buscas, convencidos da inexistência de tal cidade.
Mas Hiram Bingham, jovem assistente de História Latino-Americana da Universidade de Yale, estava resolvido a provar o equí¬voco dos exploradores. Organizara várias expedições que, tal como as precedentes, se haviam revelado infrutíferas.
No entanto, em Julho de 1911 empreen¬deu nova tentativa. Acompanhado por 2 amigos c alguns índios, seguiu, montado em mulas, ao longo do desfiladeiro de Urubamba, percorrendo outro trajeto.
Numa manhã de chuva, Bingham e os restantes membros da expedição encontra¬vam-se desanimadamente reunidos no seu acampamento, discutindo se deveriam ou não prosseguir uma exploração que parecia condenada ao malogro, quando apareceu um camponês local que lhes mencionou uma história muito antiga que referia a exis¬tência de uma cidade em ruínas que se loca-lizaria no cimo da montanha na outra mar¬gem do rio.
Só Bingham, sempre otimista, se mos¬trou inclinado a considerar seriamente a su¬gestão. Os seus companheiros recusaram-se a segui-lo, pelo que o arqueólogo partiu só, acompanhado pelo camponês.
Os dois homens e as mulas atravessaram o rio e começaram a escalar o declive de 600 m. Nada indicava a existência de uma cidade em ruínas. A determinada altura en¬contraram 2 índios que lhes deram água - e acidentalmente os informaram de que, «do¬brando a esquina», encontrariam algumas casas velhas e os restos de uma muralha.
Após tantas decepções, Bingham não alimentava ilusões, mas a sua incerteza em breve se desvaneceu. Torneou o monte e deparou-se com a cidade perdida, muito mais bela e impressionante do que jamais imagi¬nara. Havia uma série de 100 terraços perfei¬tamente construídos, com dezenas de me¬tros de comprimento, cobertos de terra la¬boriosamente transportada dos vales. Era um imenso jardim suspenso nos montes, como uma Babilônia do Novo Mundo. A cidade era um complexo de edifícios de granito branco, com uma capacidade que lhe permitia albergar 2000 pessoas, inexpug¬nável a um ataque desencadeado do vale. Os Incas haviam construído nesse local, com as suas próprias mãos, um refúgio con¬tra os exércitos espanhóis.
A cidade era uma obra-prima de constru¬ção. Séculos atrás, e sem o auxílio de rodas, os Incas tinham transportado blocos de gra¬nito para o cimo dos montes. Não havia 2 blo¬cos iguais. Eram todos talhados de forma irregular e ajustavam-se perfeitamente uns aos outros, como um imenso puzzle,
Ignoram-se ainda as circunstâncias que rodearam o fim da cidade e dos seus habi¬tantes. Não existem registos escritos que as esclareçam.
Estranhamente, nos seus últimos dias, Machu Picchu parece ter sido uma cidade de mulheres. Uma expedição posterior, tam¬bém conduzida por Bingham, descobriu 174 esqueletos em sepulturas, 150 dos quais eram de mulheres. Bingham explicou o fe¬nômeno da seguinte maneira: no apogeu do reinado autocrático dos Incas eram man¬tidas em todo o império escolas especiais, nas quais as jovens mais belas eram trei¬nadas para servir a nobreza e participar nos ritos religiosos.
Ante a ameaça do avanço dos Espanhóis, estas jovens, -denominadas as Mulheres Es¬colhidas, foram conduzidas para a nova ci¬dade, para que pudessem continuar a adorar o Sol, a Lua e as estrelas e a rezar para que os invasores fossem expulsos da sua terra.
Crê-se que a cidade existiu ainda durante 40 anos. Com o decorrer do tempo, as mu¬lheres foram envelhecendo e morrendo. Os homens que as guardavam dispersaram-se e a selva invadiu novamente Machu Picchu, não deixando ninguém para contar a sua curta e desconcertante história.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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