sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Suez - Um canal através do deserto

De Lesseps realizou o que outros sonharam

HÁ quase 4000 anos, os antigos egípcios construíram canais através do istmo de Suez, uma língua de Cerra de 160 km de largura que separa o Egito da Ásia Ocidental. Estes canais, po¬rem, caíram em desuso e foram soterrados no ano 767, após uma invasão árabe.
Napoleão, que descobriu vestígios desses canais, considerou a hipótese de melhorar as rotas comerciais ligando o mar Vermelho ao Mediterrâneo.
Foi em 1856 que se iniciaram os trabalhos de abertura de um novo canal, graças ao gê¬nio de um diplomata e político francês, Ferdinand de Lesseps. Embora não fosse um engenheiro experimentado, De Lesseps desde a sua juventude alimentava a idéia da abertura do canal.
Desde o primeiro golpe de picareta, De Lesseps entregou-se totalmente à obra du¬rante 10 anos, dirigindo a tarefa gigantesca que representou a escavação de cerca de 74 milhões de metros cúbicos de terra.
De Lesseps começou por criar um porto artificial em Port Said, onde estabeleceu uma base de operações, e ordenou a aber¬tura de um canal desde o Nilo ao istmo para abastecer de água os 20 000 trabalhadores.
O projeto de De Lesseps consistia na abertura de um canal de 9 m de profundi¬dade, partindo de norte para sul, que unisse os lagos situados sobre essa linha. Os lagos Amargos, Grande c Pequeno, a sul, foram ligados ao mar Vermelho e inundados de água do mar. O canal ligou estes lagos ao lago Tinisah.
A água potável para os trabalhadores era transportada por 3000 camelos, através do deserto, até ao lago Menzala, de onde esta era enviada, em barcaça, para Port Said. Fo¬ram recrutados pescadores locais para executarem as tarefas de dragagem, que trabalhavam durante o dia e dormiam em janga¬das à noite.
No período mais intenso de atividade foram utilizados 80000 feias, ou campone¬ses, cada um dos quais recebia 3 pilastras por dia.
Desde 1863 até 1869, ano de inauguração do canal, o número de trabalhadores foi sendo gradualmente reduzido, devido à sua substituição por dragas e equipamento de escavação mecânico.
Durante o mês de Outubro de 1869, atra¬vessou o canal o primeiro navio oceânico, o Louíse-et-Marie, de nacionalidade francesa. Mas a cerimônia inaugural realizou-se a 17 de Novembro, com a presença de representantes de quase todas as famílias reais euro¬péias.
Um pouco antes da meia-noite da vés¬pera do dia da inauguração ocorreu um aci¬dente infeliz. Uma fragata egípcia encalhou, a 30 km de Port Said, ameaçando impedir o desfile cerimonial de navios de numerosas nações, incluindo a França, Rússia, Áustria, Itália, Inglaterra e América.
Em Paris difundiu-se a notícia de que a cerimônia inaugural teria de ser adiada. No dia seguinte, a frota de navios encontrava-se apenas a 5 minutos do local do acidente quando De Lesseps foi informado de que o canal estava desobstruído.
O comprimento total do canal é de 164 km, 34 dos quais através de lagos, e a sua largura é de 90 m à superfície e 78,6 no fundo. O custo total do projeto foi cal¬culado em 20 milhões de libras, aproxima-damente.
Esta quantia, representando embora mais do dobro do orçamento inicialmente estabe¬lecido, constituiu uma soma insignificante em comparação com o valor de que o canal do Suez se reveste para o comércio mundial.
Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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