sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ráios - O pavoroso espetáculo no céu

A força que pode ter criado a vida

Desde os tempos mais remotos, o ho¬mem especulou sobre a grande po¬tência e capacidade destruidora do relâmpago, um dos mais pavorosos espetáculos da Natureza.
O relâmpago é, em termos científicos, uma descarga visível de eletricidade atmos¬férica. Quando se produz uma faísca gigan¬tesca numa nuvem de tempestade, surge como que um relâmpago difuso. Quando a faísca se desloca da nuvem para a terra, produz-se o fenômeno denominado relâm¬pago bifurcado.

Colisão de gotas

Ignora-se com exatidão o processo através do qual a eletricidade se acumula - porém, segundo crêem muitos cientistas, esta é provocada pelas colisões entre as gotas de água numa nuvem de tempestade. A teoria estabelecida é a de que, quando gotas de água que caem colidem com gotas de me¬nores dimensões, uma parte da energia exis¬tente em cada uma delas é transformada numa carga de eletricidade positiva na gota de maiores dimensões que se forma, em torno da qual o ar adquire uma carga oposta negativa.
À medida que cai, cada gota aumenta de tamanho, pois a umidade do ar condensa-se sobre ela. Quando atinge cerca de 5 mm de diâmetro, a gota divide-se em duas, cada uma das quais transporta uma carga de eletricidade positiva. Quando as gotas caem diretamente ha terra, a carga não produz qualquer efeito; porém, dentro de uma nu¬vem de tempestade existem poderosas cor¬rentes de ar que impelem as gotas, recomeçando incessantemente todo o processo. A medida que a carga acumulada em cada gota aumenta, a nuvem de tempestade torna-se um acumulador gi¬gantesco, armazenando eletricidade em quantidades progressivamente maiores.
Decorridos cerca de 15 minutos, a carga elétrica acumulada nas gotas de chuva torna-se tão elevada que vence o efeito isolador do ar. É então que ocorre o clarão do relâmpago.

Calor gerado pela faísca,

O trovão é o resultado da expansão e explo¬são do ar, que a faísca aquece a temperaturas que atingem 16 666°C {30 000°F) - 3 vezes a temperatura à superfície do Sol.
O som da explosão desloca-se mais len¬tamente do que o clarão do relâmpago, pelo que, medindo o intervalo entre o relâmpago e o trovão, é possível calcular a distância a que se verificou o relâmpago. Um período de 3 segundos equivale sensivelmente à dis¬tância de l km. Está calculado que, durante um ano, se verificam 16 milhões de trovoadas em todo o Mundo, 1800 a cada ins¬tante. Uma das tragédias mais graves cau¬sada por um relâmpago ocorreu em Bréscia, na Itália, em 1769. Uma faísca atingiu o paiol do Estado, fazendo explodir mais de 100 t de pólvora e matando um to¬tal de 3000 pessoas.
O mais desastroso incêndio provocado por um relâmpago foi talvez o que se decla¬rou em San Luis Obispo, na Califórnia, a 7 de Abril de 1926. Durou 5 dias, alastrou numa área de 3640 km2, queimou cerca de 6 milhões de barris de petróleo e causou pre¬juízos no valor de 15 milhões de dólares. Apenas 2 pessoas morreram.
Porém, apesar do seu poder destrutivo, o raio causa apenas, anualmente, um pequeno número de vítimas. Em Portugal, por exem¬plo, a média é aproximadamente de 6.

Força transmissora de vida

O relâmpago provoca também efeitos bené¬ficos. Permite a combinação do azoto e oxi¬gênio no ar e a sua dissolução em gotas de chuva. Quando cai na terra e penetra no solo, a chuva, um valioso fertilizante, for¬nece às plantas os nitratos vitais que trans¬porta.
O relâmpago pode ter sido uma das cau¬sas originárias da vida sobre este planeta. Durante uma fascinante experiência reali¬zada na Universidade de Chicago, pre¬parou-se uma mistura de gases - hidrogê¬nio, metano, amoníaco e vapor de água -, segundo se crê semelhante à primitiva at¬mosfera terrestre. Submeteu-se então a mis¬tura à ação de um relâmpago artificial, constituído por uma descarga elétrica, em resultado da qual se formaram produtos químicos complexos, conhecidos como aminoácidos, reconhecidos como os alicer¬ces básicos de todas as formas de vida sobre a Terra.
Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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