segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Preservados Para A Posteridade

Esqueletos de monstros encontrados numa mina de carvão

DURANTE o século xix tinham sido encontrados, em diversas partes da Europa, fragmentos ósseos de um monstro pré-histórico conhecido pelo nome de iguanodonte, mas nunca um esqueleto inteiro. Inopinadamente, em 1878, na Bél¬gica, no interior de urna mina de carvão, fo¬ram encontrados os esqueletos de um grande grupo destes répteis gigantescos.
A descoberta - que ocorreu em Bernissart, perto da fronteira com a França - foi a mais importante contribuição para o estudo dos monstros de 5 m que percorriam a re¬gião há 120 milhões de anos. E a sua recons¬trução final demonstrou que as hipóteses científicas vigentes sobre o iguanodonte es¬tavam totalmente erradas.
Os esqueletos dos iguanodontes, aproxi¬madamente 20 - muitos dos quais comple¬tos -, eram despojes de um bando prova¬velmente arrastado por uma inundação para o que era então uma ravina profunda. Com eles, a lama correu para o barranco, cobrindo-lhes os corpos e mantendo-os na exce¬lente condição em que foram encontrados decorrido tanto tempo.
Constituíram a primeira prova da exis¬tência da espécie que se tornou conhecida pelo nome de iguanodonte os dentes encon¬trados em 1822 por Mary Ann Mantell, entre umas pedras, na beira de uma vereda no condado inglês do Sussex.

A reconstrução do passado

O nome «iguanodonte» - que apenas signi¬fica dente de iguano - foi atribuído pela primeira vez ao animal em 1825, pelo ma¬rido de Mary Ann Mantell, que considerou os dentes deste réptil semelhantes aos do iguano, embora maiores.
Desde então, muitos restos destes animais tem sido encontrados, especialmente na área de Weald, no condado de Kent, e na ilha de Wight, que foram outrora terrenos fluviais férteis, onde, segundo se crê, estes répteis enormes e pesados pereceram depois de fi¬carem imobilizados pela lama.
Durante os séculos seguintes, a ação das marés nessas zonas quebrou os esqueletos, cujos fragmentos dispersou até distâncias consideráveis, o que pode justificar o fato de não ter sido descoberto em Inglaterra um único esqueleto completo.
Entre 1853 e 1854 foi feita, nos terrenos do Palácio de Cristal, em Londres Sul, onde ainda se encontra, uma reconstituição do iguanodonte, baseada nos dentes encontra¬dos por Mary Ann Mantell. Pensava-se que o animal caminhava sobre 4 patas e osten¬tava l chifre na extremidade do nariz. Mas a descoberta na mina de carvão belga de¬monstrou a incorreção desta reconstituição.
Atualmente, existem 2 enormes caixas envidraçadas no grande átrio do Museu Real de História Natural, em Bruxelas, que contêm mais de 20 esqueletos de iguanodon¬te, alguns eretos c outros nas diferentes posi¬ções em que se encontravam quando mor¬reram. Estão corretamente reconstituídos, como seres que se deslocavam sobre 2 patas.
O osso pontiagudo não é l chifre, mas a junção de 2 «polegares» enormes e aguçados com que os animais arrancavam as plantas e derrubavam as árvores de que se alimenta¬vam.
Com base nos esqueletos encontrados cm 1878 numa mina de carvão da Bélgica, os paleontologistas puderam reconstituir com muito maior exatidão o réptil de há 120 milhões de anos.
O PRIMEIRO MAMÍFERO

Um fragmento de osso menor do que uma unha permitiu aos cientistas determinarem que os mamíferos - os mais antigos antepas¬sados do homem - já existiam, pelo menos, no tempo dos dinossauros. Até 1966 pensava-se que os primeiros mamíferos haviam sido animais de dimensões semelhantes às do gato, que tinham vivido quando os dinossau¬ros estavam praticamente extintos - há cerca de 90 milhões de anos.
Mas a partícula de osso - encontrada por lone Rudner, uma pesquisadora do Museu da África do Sul, na Cidade do Cabo - veio pro¬var o contrário.
Ione Rudner ajudava a desenterrar ossadas de dinossauro numa encosta do vale do rio
Orange, no Lesoto, quando notou uma pe¬quena mancha branca numa encosta rochosa. Pensando que o fragmento não tinha qualquer importância, um dos membros da equipa arremessou-o ao chão, fazendo-o partir-se. Sentindo a sua curiosidade despertar, lone Rudner observou com uma lupa o fragmento, onde descobriu dentes.
Os pesquisadores encontraram mais partes do esqueleto e, após meses de minucioso tra¬balho, reconstituíram-no. Os ossos encontra¬dos pertenciam a um animal de pequenas di¬mensões, semelhante ao musaranho, que vi¬veu há 200 milhões de anos, aproximadamente na época em que os dinossauros come¬çavam a surgir.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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