segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Polinésios - Senhores Do Pacífico

Os Polinésios percorreram o oceano orientando-se pelo sentido do tato

Se esse lançar urna pedra num lago, a regu¬laridade da ondulação que se forma será perturbada por quaisquer ro¬chedos que despontem à superfície. Com um gráfico das ondulações, será possível, por meio de cálculos matemáticos, determi¬nar a posição dos rochedos.
Transformando o lago num oceano, as ondulações em vagas e os rochedos em ilhas, será ainda possível aplicar os mesmos princípios para assinalar a localização de uma ilha que se encontre aproximadamente a 100 milhas de distância.
Há cerca de 3000 anos, a possibilidade de proceder a estes cálculos ajudou uma raça de navegadores exímios a atingir e colonizar praticamente todas as ilhas habitáveis na imensidão do Pacífico.
Os Polinésios não dispunham, para se orientarem, de cartas náuticas, bússolas, sex¬tantes ou telescópios, nem sequer de uma linguagem escrita através da qual lhes fosse dado transmitir as suas experiências. No en¬tanto, ao longo de um período de 1000 anos, povoaram uma enorme área de con¬figuração triangular, cobrindo mais de 30 milhões de quilômetros quadrados, desde a ilha de Páscoa, a leste, ao Havaí, a norte, e à Nova Zelândia, a sul.
A sua observação inteligente permitiu-lhes realizar esse feito. Os Polinésios nota¬ram que, quando as vagas batem numa ilha, algumas são devolvidas na direção da província, enquanto outras são defletidas em ângulos em torno da ilha para prosse¬guirem, de forma alterada, do outro lado. Investigando mais profundamente este fenômeno, adquiriram um conhecimento su¬ficiente do comportamento das ondas que lhes permitiu determinar com precisão a po¬sição de uma ilha situada aproximadamente a 100 milhas de distância.
Quando lhes foi dado contemplar pela primeira vez os estranhos mattangs polinésios, formados por paus de bambu entrela¬çados, os marinheiros europeus pensaram que estes constituíam uma espécie de mapa primitivo. Eram, porém, algo muito dife¬rente - dispositivos para instruir os jovens nos princípios que regem os movimentos das ondas. Os mattangs indicavam todos os esquemas fundamentais que as ondas po¬dem formar, permitindo ao jovem navega¬dor aprender as implicações das diferentes formações de vagas.

Sentido do tacto

Era uma,ciência complicada e esotérica, pois não era possível ler as ondas a distância -por exemplo, do cimo de altos penhascos.
0 marinheiro polinésio tinha de estar tão próximo das ondas que podia sentir o seu movimento pelo tacto.
Instalava-se habitualmente na proa da sua canoa, sobre cujo casco se estendia, sentindo, literalmente, através do tacto, cada movi¬mento da embarcação. Em poucos minutos era capaz de determinar as posições da ilha mais próxima, dos rochedos que se interpu¬nham no caminho e de outras ilhas situadas na vizinhança.
Evidentemente que os Polinésios não ig¬noravam os sinais visíveis de uma ilha tro¬pical, que aparecem muito antes de a pró¬pria ilha surgir no horizonte. Aves e destro¬ços indicam terra - e freqüentemente a direção em que esta se encontra - e uma nu¬vem estacionaria no horizonte a existência de uma ilha a uma distância equivalente a 1 ou 2 dias de navegação.
Eram feitos mapas de ilhas e arquipélagos para uso local, nos quais as ilhas eram repre¬sentadas através de conchas ou fragmentos de coral ligados a paus a que se emprestava determinada forma.

Origens misteriosas

Utilizando estes métodos, os Polinésios ex¬ploraram a maior parte do Pacífico; a sua procedência original continua a ser um mis¬tério, pois a sua cultura não entronca em nenhuma do continente asiático e está definitivamente provado que não é sul-ameri¬cana. Sabe-se que há cerca de 3000 anos pas¬saram pelas ilhas Fiji, colonizaram Tonga, na Melanésia, c estabeleceram-se depois em Samos.
Na área limitada de uma ilha, imune às pragas que devastavam os continentes, a população multiplicou-se.
Os Polinésios em breve partiram de novo - protegendo dos elementos, tanto quanto possível, as mulheres e crianças, os animais, frutos e plantas - em direção às Marquesas, onde parece terem vivido há 2000 anos. Deste arquipélago realizaram viagens intré¬pidas à ilha de Páscoa, Havaí e Nova Zelân¬dia.
Percorreram estas enormes distâncias em canoas duplas de 25 m de comprimento, es¬cavadas em troncos de árvores, feitas com instrumentos de pedra e concha e ligadas entre si, tendo um abrigo sobre o convés entre ambas.
Embora difundissem a sua cultura através do Pacífico, permaneceram um povo único, de tal forma que atualmente ainda um maori pode entender a língua local do Havaí.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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