segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os Primeiros Colonizadores Australianos

Amotinados e assassinos fugitivos

Os primeiros colonos europeus da Austrália foram eventualmente 2 amotinados holandeses que ti¬nham sido deixados à deriva ao largo da costa ocidental em 1629 - 159 anos antes de a primeira esquadra inglesa chegar a Sydney Cove, a 26 de Janeiro de 1788.
Em 1628 o navio mercante holandês Batavia, comandado por François Pelsacrt, zarpara da Holanda, juntamente com uma frota de navios da Companhia Unida das índias Orientais, rumo a estas. Transportava uma valiosa carga, entre a qual 12 arcas de dinheiro, jóias, talheres de prata e mercado¬rias caras.
Os navios dispersaram-se durante uma tempestade e, pouco antes do nascer do Sol do dia 4 de Junho de 1629, o Batavia enca¬lhou num recife de coral nas ilhas Wallabi, do arquipélago de Abrolhos, ao largo da Austrália Ocidental. Uma semana mais tarde estava despedaçado.
A sua tripulação, composta por cerca de 300 pessoas - alguns homens e mulheres aventureiros que rumavam para as índias em busca de fortuna -, nadou para terra e atingiu 2 ilhas baixas c áridas. A maior parte das provisões foi salva, mas a água escasseava e, após uma busca vã, Pelsaert partiu num pequeno escaler para procurar auxílio nas índias Orientais.
Com ele seguiam o 2.° comandante do Batavia, o imediato, outros oficiais e ainda alguns homens, 2 mulheres e l criança. De¬pois de uma perigosa viagem de 2000 mi¬lhas que durou cerca de um mês, chegaram à atual ilha de Java no dia 5 de Julho do ano de 1629.
O governador de Batavia (atualmente Jacarta) emprestou a Pelsaert o iate Bardam para regressar às ilhas e recolher os náufra¬gos que nelas aguardavam.
Porém, durante a ausência de Pelsaert, um homem da tripulação do Batavia, Jerome Cornelius, assumira o comando dos sobreviventes, que se encontravam espalha¬dos por 3 ilhas. Com vários cúmplices, planeou tomar de assalto o navio que viria salvá-los e, apoderando-se das arcas de di¬nheiro e jóias, dedicar-se à pirataria. Aqueles que não se lhe associassem seriam mortos.
Entretanto, outro grupo de sobreviven¬tes, chefiado por Webbye Haycs, descobrira água numa ilha distante e acendera 3 fogueiras para anunciar o seu êxito. No mesmo dia Cornelius ordenou um massacre geral, cm que foram brutalmente assassinados 125 homens e mulheres. Alguns foram decapi-tados, outros acutilados ou espancados até morrerem e outros ainda afogados.
Envergando trajes de veludo bordado a ouro e prata e sedas suntuosas, os amoti¬nados beberam grandes quantidades de rum e vinho. Cornelius, que se autonomeara capitão-geral, vestia um casaco vermelho, ricamente bordado a ouro.

Avisado pelos fugitivos

No entanto, Cornelius compreendia que não estaria seguro enquanto Webbye Hayes e os seus homens não tivessem sido eliminados. Avisado por sobreviventes do massacre, que haviam fugido a nado ou em jangadas, Hayes pôde, no entanto, repelir 2 ataques.
Cornelius tentou então negociar um tra¬tado de paz, com o qual Hayes concordou na condição de lhe ser permitido, a si e ao seu grupo, abandonar a ilha sem ser moles¬tado. Em troca, cederia um pequeno escaler a Cornelius. Este imediatamente quebrou o acordo, e enviou secretamente cartas a al¬guns dos homens da ilha, tentando per¬suadi-los a abandonar Hayes.
Estes homens, porém, mostraram as car¬tas a Haycs c, quando Cornelius desembar¬cou na ilha com um grupo dos seus sequazes para discutir condições, foi atacado e capturado.
A luta entre os lealistas e os amotinados durava ainda quando Pelsaert regressou no Sardam. Hayes avisou-o e, quando os amo¬tinados tentaram a abordagem do iate, fo¬ram presos.
Julgados pelos oficiais do Sardam, foram todos postos a ferros e torturados. A Corne¬lius foram-lhe decepadas ambas as mãos an¬tes de o enforcarem em Seal Island.
No entanto, 2 amotinados - Wouter Loos e um rapaz de nome Jan Pelgrom de By - foram deixados à deriva num pequeno bote. Nunca mais se ouviu falar do qualquer de¬les, mas correram rumores de que ambos haviam desembarcado no continente. Na realidade, em várias áreas costeiras da Aus¬trália Ocidental foram vistos aborígenes de pele clara, possivelmente descendentes dos 2 holandeses abandonados no,mar.
Durante muitos anos, acreditou-se que o naufrágio do Batavia ocorrera junto de um cabo na extremidade dos Abrolhos; em 1963, porém, Davc Johnson, um pescador de lagostas, descobriu os destroços do navio 45 milhas a norte deste local.
Nas ilhas, os mergulhadores encontrara moedas, um sinete, restos de espadas, cha¬ves, objetos de vidro e 2 relíquias macabra; - um osso de tornozelo humano e um es¬queleto de homem com um maxilar que¬brado e um golpe de espada"no crânio.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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