sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Obra inacabada de Darwin

O que explica que um livro de 500 páginas, cujo primeiro capítulo analisa as variedades encontra¬das entre os pombos selvagens e os domesticados pelos fazendeiros ingleses, torne-se um dos maiores best-sellers de todos os tempos, no decorrer dos últimos 150 anos? A resposta é simples: A Origem das Espécies, de Charles Darwin (1809-1882), trata de uma questão que sempre atiçou a curiosidade humana: de onde viemos e para onde vamos.
A obra, que levou 20 anos para ser concluída e teve os 1.250 exemplares da primeira edição esgotados em poucas ho¬ras, transformou-se no pilar sobre o qual se ergue todo o conhecimento atual da biologia, da genética e da biotecnologia. Sem as idéias do naturalista inglês, não teríamos os novos ramos da pesquisa mé¬dica - como o estudo das células-tronco e a engenharia genética - nem compreende¬ríamos como as bactérias podem se tornar resistentes aos antibióticos. A ciência tem como certo e comprovado que a teoria da evolução pela seleção natural descreve com perfeição a luta pela vida no planeta. E é ainda um importante instrumento para o avanço dos cuidados com a saúde do ser humano e do próprio planeta.

A viagem do Beagle
A teoria da evolução pela seleção natu¬ral é uma daquelas idéias tão mirabolantes e inventivas que parecem só poder surgir da mente de um tipo de pessoa: alguém suficientemente observador e meticuloso para reparar em pequenas diferenças no formato de bicos de passarinhos, e que tenha tempo sobrando para se dedicar à análise desses bicos. Charles Darwin - que teria completado 200 anos neste ano - atendia aos dois requisitos.
Nascido numa família abastada, Darwin passou a maior parte da infância cole¬cionando ovos de pássaros e carcaças de pequenos roedores, lagartos e besouros. Adolescente, não demonstrava nenhuma vocação especial. Na faculdade de medicina (abandonada) e no curso preparatório para a carreira de pastor da Igreja Anglicana, tudo o que continuava lhe interessando era - adivinhe o quê -colecionar besouros, lagartos, pequenos roedores, ovos de passarinhos...
Mas foi essa obsessão pelo mundo na¬tural que levou o jovem de 22 anos a ser convidado a seguir no Beagle - navio enviado pela Coroa britânica para uma expe¬dição exploratória de cinco anos ao redor do mundo. E foi o que Darwin viu nessa viagem que alimentou sua imaginação e lhe rendeu as bases da teoria da evolução que ele desenvolveria mais tarde.
O jovem inglês surpreendeu-se com tudo na expedição: povos de etnias desconheci¬das, pássaros exóticos, fósseis de espécies extintas, conchas do mar no alto dos picos andinos. Mas o que daria a Darwin a grande sacada sobre o mecanismo da evolução es¬tava no arquipélago das ilhas Galápagos, no oceano Pacífico. Na verdade, Darwin nem deu muita importância ao que viu lá. Mas, em meio ás iguanas e às tartarugas gigan¬tes, notou que várias ilhas eram habitadas por pássaros que variavam na aparência, particularmente no bico. Recolheu alguns exemplares e, como combinado com os na¬turalistas ingleses, enviou-os à Inglaterra.
De volta da viagem, o naturalista sur¬preendeu-se com a conclusão dos ornitólogos: os pássaros de todas as ilhas per¬tenciam a uma mesma espécie, o tentilhão, comum no continente sul-americano, do qual o arquipélago dista 600 quilômetros.
Então, provavelmente, era de lá que vi¬nham os tentilhões de Galápagos. Mas, se todos os pássaros descendiam do mesmo grupo do continente, por que teriam eles desenvolvido bicos diferentes conforme a ilha em que viviam? Levou anos, mas o naturalista achou uma resposta: para ambientes diferentes, bicos diferentes.
Cada grupo de pássaros tinha, no decor¬rer das gerações, simplesmente se adaptado às condições encontradas a seu habitat Em ilhas com sementes pequenas, um tentilhão que nascesse com o bico pequeno teria maior facilidade em abrir as sementes que lhe serviam de alimento, sobreviveria de maneira mais saudável e geraria mais filho¬tes, que, naturalmente, herdariam o bico pequeno. O mesmo devia ter acontecido nas demais ilhas com relação às sementes grandes e os pássaros com bicos mais ro¬bustos. O isolamento do arquipélago teria acelerado o processo de variação: distante de outras populações, os tentilhões de cada ilha teriam se acasalado com parceiros do mesmo grupo, o que teria reforçado, no decorrer das gerações, os bicos mais curtos ou mais longos de cada grupo. De geração a geração, cada ilha passou a ter apenas pássaros com o bico mais adequado ao alimento disponível.

Como nasceu o livro
Darwin não teve nenhuma dessas gran¬des iluminações sobre a evolução durante a viagem, nem nos primeiros anos de¬pois da volta à Inglaterra. Ele continuou analisando os espécimes coletados na viagem do Beagle, fazendo anotações e publicando breves compilações sobre o material observado. Até que, 23 anos de¬pois, tornou público todo o seu raciocínio em A
Origem das Espécies.
Em resumo, o raciocínio que Darwin expõe em sua obra-prima é o seguinte:
- Na natureza, todos os animais geram mais filhotes do que os que conseguem sobreviver. Muitos filhotes morrem cedo por doenças, por falta de alimen¬tação ou por ataques de predadores, e apenas alguns sobrevivem até a ma¬turidade. O que há de especial nesses sobreviventes?
Como Darwin não acredita que o su¬cesso de uns se devesse apenas ao acaso, a resposta só podia estar na variação existente entre os membros da espécie.
Aqueles que nascera com alguma ca¬racterística que os ajude a superar as dificuldades impostas pelo meio - seja maior resistência a doenças ou ao frio, seja pernas mais fortes para fugir dos predadores, seja a visão mais aguçada para localizar alimentos - sobrevivem por mais tempo, reproduzem-se e transmitem à prole essas características favoráveis.
Ao mesmo tempo, os menos bem dotados tendem a morrer mais cedo e, portanto, não deixam filhos. Assim, no decorrer das gerações, as características benéficas vão se tornando cada vez mais comuns numa espécie.
Segundo a teoria de Darwin, foi esse mecanismo que, por meio de mudanças lentas e graduais, deu ao camaleão a ca¬pacidade de se camuflar, a algumas cobras o veneno nas presas, à gazela a grande velocidade e às aves de rapina a visão aguçadíssima - todas são características que favorecem a sobrevivência.

Muitas teorias da evolução
Charles Darwin não foi o primeiro a afirmar que as espécies evoluem. Aristó¬teles, no século IV a.C., já observava que a forma dos dentes no homem - afiados na frente, para a mordida, e achatados ao fundo, para a mastigação - "como outras partes do corpo, parecem existir por adap¬tação do organismo a um fim", ou seja, como adaptação a uma exigência do meio. Em meados do século XIX, grande parte dos naturalistas e filósofos acreditava que o planeta não existia 6 mil anos antes; que as diferentes espécies animais e vegetais tinham sido criadas, uma a uma, por Deus; e os fósseis pré-históricos, descobertos em profusão àquela época, seriam animais que não tinham embarcado na arca de Noé e teriam sido, portanto, extintos pelo dilúvio bíblico. Ainda assim, muitos naturalistas levantavam diversas hipóteses sobre as transformações sofridas pelas espécies no decorrer do tempo.
Uma das hipóteses mais citadas nos livros escolares é a de Jean-Baptiste La-marck (1744-1829). Para o naturalista francês, os pais transmitiriam aos filhos as características adquiridas no decorrer da própria vida. Num exemplo extremo, isso significa que, se alguém cortasse o indicador na adolescência, seu filho já nasceria, mais tarde, com uma cicatriz no dedo. Ambas as teorias - a de Lamarck e a de Darwin - atribuem importância à influência do meio na evolução das espécies. A diferença entre elas está em como essa influência se dá.
O longo pescoço das girafas é um bom caminho para mostrar em que ponto as idéias lamarckianas diferem das darwinianas. Para Lamarck, as girafinhas nasciam com o pescoço comprido porque seus pais, ao se alimentar, esticavam a cabeça em direção às folhas mais altas das árvores. O pensamento de Darwin é bem mais sofisticado: o pescoço comprido das girafas atuais é herdado dos pais, sim. E as girafas que nasciam com o pescoço mais longo se alimentavam mais facilmente. Como isso facilitava a alimentação - ou seja, favorecia a sobrevivência -, a girafa pescoçuda ancestral chegou à idade re¬produtiva e transmitiu essa característica para pelo menos um de seus filhotes. O filhote pescoçudo, por sua vez, manteve a vantagem de sobrevivência sobre seus irmãos e primos de pescoço curto porque alcançava com maior facilidade as folhas altas e gerou mais filhotes de pescoço longo. E assim por diante, geração a ge¬ração, por milhares ou milhões de anos, até que o mundo passou a ter apenas as girafas pescoçudas.

As idéias de Darwin
1. Os indivíduos de uma mesma espé¬cie não são todos idênticos. Entre os humanos, alguns são morenos, outros loiros, alguns têm dedos mais longos, outros lábios mais finos.
2,. Muitas - mas não todas - diferenças anatômicas ou fisiológicas observadas entre os indivíduos de uma população são transmitidas de uma geração a ou¬tra. É como diz o provérbio: "filho de peixe, peixinho é".
-. Os indivíduos que tenham carac¬terísticas que contribuem para sua sobrevivência viverão até a idade de reprodução. As gazelas que nascem com patas bem desenvolvidas têm maior chance de fugir dos ataques dos pre¬dadores e sobreviver.
4. Ao se reproduzirem, esses indiví¬duos têm grande chance de transmitir à sua prole as variações que favorecem a sobrevivência.
-. Eventualmente, um indivíduo sofre uma modificação aleatória no processo de formação do organismo. À época de Darwin não existia o con¬ceito de gene. Hoje sabemos que essas modificações aleatórias são devidas a alterações genéticas.
-. Se essa alteração acidental favo¬recer a sobrevivência do indivíduo, ele chegará à idade de reprodução com grande chance de transmiti-la a pelo menos parte de sua prole. Os filhotes que nascerem com a alteração favorá¬vel à sobrevivência novamente terão mais chance de sobreviver e se re¬produzirão mais facilmente.
-. A repetição do mecanismo de herança e adaptação ao am¬biente no decorrer de várias gerações leva a mudanças graduais num grupo de in¬divíduos da espécie, até que esse grupo fica tão diferen¬te do original que surge uma nova espécie.
Esse mecanismo - de modificações lentas e graduais, que favorecem a adap¬tação ao ambiente e aumentam a chan¬ce de sobrevivência do ser vivo em seu ambiente - é o que Darwin chamou de seleção natural. A própria natureza se encarrega de selecionar as características mais vantajosas, traçando, assim, a rota da evolução que acaba separando uma espé¬cie da outra .

O que é evolução
O fato de todas as girafas que existem hoje terem pescoço longo não significa que a espécie tenha parado de evoluir. O pro¬cesso da evolução pela seleção natural não acaba nunca. Basta uma pequena alteração ambiental para que uma espécie enfrente novos desafios. Urna mudança qualquer pode tornar desvantajosa uma caracte¬rística até então benéfica ou irrelevante, e vice-versa. Se, por exemplo, o número de acácias - as árvores que fornecem o principal alimento às girafas - escassear, esses animais serão obrigados a recorrer a arbustos bem mais baixos. Assim, uma girafinha que por acaso nasça mais atarracada terá vantagem para sobreviver: não só se alimentará com menos esforço como também ficará menos vulnerável ao ataque de predadores durante a refeição.
Muitos paleontólogos acham que foi uma adaptação desse tipo, a uma mudança climática radical, que permitiu o flores¬cimento dos mamíferos na face da Terra. Há 65 milhões de anos, quando o planeta foi atingido pelo asteróide que o mergu¬lhou numa noite de seis meses, grandes animais como os dinossauros morreram de fome e de frio. A extinção deu espaço aos pequenos mamíferos, que precisavam de muito menos para sobreviver. Não fosse isso, o mundo provavelmente ainda seria reinado dos tiranossauros.
Assim, a palavra evoluir, quando usada do ponto de vista científico, não significa progredir ou chegar à perfeição. Tampou¬co significa aumentar a complexidade dos organismos. A idéia de evolução, na biologia, diz respeito apenas a alteração, a transformação. Todas as espécies animais e vegetais que conhecemos hoje estão no ápice da evolução - ou seja, são organismos que existem na forma que existem porque sofreram modificações que lhes deram características comprovadamente eficientes para enfrentar as condições ambientais no decorrer do tempo. E, ape¬sar de invisíveis no dia a dia, pequenas alterações continuam ocorrendo em todos os seres vivos. Um dia qualquer, mesmo aquelas modificações irrelevantes podem se mostrar extremamente úteis - ou da¬nosas - à sobrevivência da espécie.

 evolução da evolução
O mecanismo da seleção natural de que falamos hoje não é exatamente o apresen¬tado por Charles Darwin em 1859. No de¬correr dos últimos 150 anos, a teoria passou, ela mesma, por uma evolução. O autor reviu pontos, reescreveu passagens e acrescentou explicações, respondendo a críticas e ob¬servações de seus colegas naturalistas, nas cinco reedições de A Origem das Espécies até 1872. E a teoria da seleção natural passaria por muito mais reformas ainda, nos anos seguintes.
A época de Darwin não se cogitava ainda a existência de genes - as unidades funda¬mentais de transmissão dos caracteres here¬ditários. O monge, nascido numa região onde hoje é a Áustria, Gregor Mendel (1822-1884) nem sequer havia publicado seus estudos sobre ervilhas, que desvendaram as leis da hereditariedade. Durante sete anos, Mendel cultivou ervilhas nos jardins do monastério no qual vivia, intrigado com a questão: por que os filhos se parecem com os pais? As ervilhas constituíam um bom modelo para o experimento, pois apresentavam variações fáceis de ser medidas: algumas nasciam amarelas, outras verdes, alguns pés eram mais altos, outros mais baixos.
Mendel cruzou ervilhas de diferentes ca¬racterísticas e analisou matematicamente como essas características apareciam na geração seguinte. Ele descobriu que todo organismo herda traços do pai e da mãe e concluiu que esses traços são transmitidos por fatores (o que chamamos de genes). Descobriu, ainda, que alguns fatores são dominantes e outros recessivos. Um fator do¬minante expressa-se facilmente na prole. Ura fator recessivo expressa-se apenas se combi¬nado com outro recessivo. Seja como for, um fator recessivo pode permanecer oculto e se expressar muitas gerações depois.
Mendel, que jamais ouvira falar em Darwin, divulgou seu trabalho em 1865, seis anos após a publicação de A Origem das Espécies. E suas observações só foram descobertas e valorizadas pela comunida¬de científica no início do século XX. Por volta de 1920, biólogos juntaram as desco¬bertas de Mendel com as idéias de Darwin e montaram o arcabouço teórico aceito pela comunidade científica atual - a Sínte¬se Moderna, ou neodarwinismo. Existem diferentes teorias neodarwinistas, mas, em linhas gerais, a visão da comunidade científica sobre a evolução é que:
- a evolução sempre ocorreu e continua a ocorrer;
- todas as características de um organis¬mo estão gravadas em genes, que são transmitidos dos pais aos filhos;
- a evolução se dá tanto por meio da seleção natural quanto por mudanças que os genes sofrem ao acaso;
- nem todos os genes se manifestam num organismo. Mas mesmo os que permanecem silenciosos são trans¬mitidos no decorrer das gerações e podem se expressar mais tarde O grande avanço da biologia, que pavimen¬tou de vez o sucesso da teoria da evolução de Darwin, foi a descoberta do DNA, a molécula em espiral existente no interior dos cromossomos, que carrega os códigos genéticos. Os genes nada mais são do que trechos dos braços da espiral. A descoberta ocorreu em 1953, num feito espetacular, que rendeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1962 ao norte-americano James Watson e o britânico Francis Crick (1916-2004).

Evolução ou criação
Para os biólogos atuais, não há dúvida de que a evolução pela seleção natural é um fato. E não tem cabimento dizer que o homem é o ser supremo do planeta. Como as demais espécies, a nossa também deve ser uma ramificação de alguma espécie ancestral. Darwin sabia o que significava defender essa idéia herege na Inglaterra vi¬toriana. Por isso, evitou qualquer referên¬cia ao homem em A Origem das Espécies. Mas a noção de que o ser humano é apenas mais um dentre milhões de produtos da ação casual da natureza bate de frente com dogmas religiosos desde a época de publicação do livro e incomoda até hoje grupos de cristãos fundamentalistas, que interpretam a Bíblia ao pé da letra e acre¬ditam que o homem tenha sido criado à imagem e semelhança de Deus. Essas pessoas são chamadas de criacionistas.
A grande concentração de criacionistas está nos Estados Unidos. Várias pesquisas de opinião mostram que boa parcela da população norte-americana acredita que o homem seja produto da criação divina. Segundo uma dessas pesquisas, realizada em 2005,42% dos norte-americanos negam qualquer evolução. Dos 48% que acreditam na evolução, 18% acham que ela é definida pela vontade divina. E 64% defendem a idéia de que o criacionismo seja apresenta¬do aos alunos nas escolas como uma teoria tão válida quanto a de Darwin.
Nos últimos anos, as escolas públicas de vários estados norte-americanos se trans¬formaram em arenas de batalha entre evolucionistas e criacionistas, que pretendem tornar o criacionismo parte do currículo escolar. No Brasil, a lei não inclui o ensino de religião nas escolas públicas. Mas algu¬mas instituições de ensino particulares de orientação evangélica incluem preceitos criacionistas nas aulas de biologia. Para os diretores e pedagogos dessas instituições, a teoria de Darwin é só uma dentre várias.

Campos de aplicação
A teoria de evolução de Darwin é tão bem-sucedida que, à medida que se con¬solidou, extrapolou os limites da biologia para diversos campos de conhecimento, na análise dos mais diversos fenômenos naturais e sociais. Astrônomos aplicam o conceito de seleção natural para ex¬plicar a origem do universo. Psicólogos usam a mesma idéia para mostrar como alguns sentimentos humanos são heran¬ças ancestrais. Lingüistas explicam pela seleção natural como palavras surgem e morrem numa língua, dependendo se têm emprego ou não. E há economistas, sociólogos e antropólogos que aplicam o conceito para explicar, por exemplo, a crise econômica atual.
Nessa disseminação da idéia da sele¬ção natural, muitas vezes o verdadeiro teor do conceito científico de Darwin se perde. No darwinismo social - linha de pensamento filosófico que busca explicar a evolução e a dinâmica socioeconômica da sociedade humana -, o também inglês sir Herbert Spencer (1820-1903) criou a expressão "sobrevivência do mais apto". Para Spencer, era natural que os homens mais aptos - ou seja os mais fortes, os mais inteligentes, os mais esforçados, os mais saudáveis - subissem ao topo da sociedade, e que o resto da humanidade fosse condenada ao desaparecimento por doenças, guerras ou fome. Dessa forma, em sua concepção, a humanidade estaria em eterna caminhada rumo ao progres¬so, tornando-se uma espécie cada vez mais fortalecida. Esse enfoque foi usado para justificar a exploração das classes sociais e das nações menos favorecidas por cidadãos e países economicamente mais poderosos, e foi uma das bases para justificar a política colonial das potências européias - como Alemanha, Reino Uni¬do e Bélgica - na Ásia e na África.
Darwin nunca advogou as hipóteses de Spencer. Para ele, a expressão "luta pela sobrevivência" referia-se simplesmente a um organismo na natureza ter ou não recursos para superar condições adver¬sas que lhe eram apresentadas pelo am¬biente natural. Questões sociais estavam fora do âmbito de sua teoria. E, mesmo na biologia, a idéia de Spencer não po¬deria ser considerada uma lei. Muitas espécies desenvolveram estratégias de cooperação e não de competição - para garantir sua sobrevivência.
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