segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Povo Que Inventou O Zero

A ascensão e o declínio do império dos Maias, no coração da selva

FOI um povo da Idade da Pedra que nunca conheceu o princípio da roda. No entanto, atingiu níveis artísticos e intelectuais que nenhuma outra raça das antigas Américas alcançou.
Sabia calcular os movimentos dos plane¬tas e predizer eclipses com uma precisão que só foi atingida no século XX. E, no entanto, era completamente incapaz de edificar um simples arco.
A sua escrita mantinha-se numa forma ainda incipiente quando outros povos já possuíam uma literatura sofisticada. Mas o seu sistema matemático era incomparavel¬mente superior a qualquer outro contem¬porâneo ou anterior, mesmo o do antigo Egito. Podia calcular em milhões e utili¬zou o conceito de zero 3000 anos antes do resto da Humanidade.
Os Maias, da América Central, criaram uma civilização simultaneamente brilhante e primitiva; uma cultura cujo desapareci¬mento súbito continua a ser dos mais intri¬gantes mistérios da História.

Sacrifícios humanos

Ignora-se como as primitivas comunidades maias de lavradores e pescadores de cerca de 1500 a. C. se transformaram num império poderoso cujas cidades ocuparam uma área que corresponde atualmente às Honduras, Guatemala e aos Estados setentrionais do México. Mas fizeram-no de fato. E fize¬ram-no sós.
A medida que foram se desenvolvendo, os Mais criaram um sistema social rigorosamente dividido em classes distintas: a nobreza, hereditárias, sob o domínio de um rei-sacerdote, os trabalhadores livres e os escravos - habitualmente prisioneiros captu¬rados durante as batalhas. Os cativos de ele¬vada estirpe, no entanto, eram imolados e oferecidos em holocausto a Hunabku, o deus dos Maias.
Utilizavam apenas 3 símbolos matemáti¬cos: um ponto, que representava a unidade; um traço, o 5, e unia concha, o 0. No entanto, efetuavam cálculos de centenas de milhões.
O calendário maia, por razões que se ignoram, tinha início num dia do ano 3113 a. C. Em vez de semanas, meses e anos, os Maias usavam o kin (l dia), o ninai (20 dias), o tun (360 dias), o katun (7200 dias) e o baktun (144 000 dias).
A densidade populacional das suas cida¬des atingia as 40 000 pessoas, mantidas por um complexo sistema de comércio.
Súbita e inexplicavelmente, porém, nos começos do século X, a civilização maia desintegrou-se e as suas cidades foram abandonadas. As numerosas teorias que têm sido apresentadas para explicar o fenômeno são todas meras conjecturas.
Uma das hipóteses ventiladas sugere que o sistema agrícola maia se desintegrou pe¬rante o avanço da selva, que invadiu os seus campos.
Outras sugerem sismos, epidemias ou in¬vasões procedentes do México. Pode ter eclodido uma revolução conduzida pelos homens do povo e pelos escravos contra as classes dominantes e improdutivas, que, se-gundo parece, viviam inativas, obcecadas pela meditação sobre o tempo e os seus mis¬térios.
A mais fascinante das teorias é porventura aquela segundo a qual os Maias se limitaram a desistir da luta pela sobrevivência contra o calor e a selva sempre presentes. Os antropó¬logos modernos descobriram que os Maias tinham famílias pouco numerosas, porque sofriam de uma carência de proteínas na sua alimentação que lhes reduzia a sexualidade.
Alguns especialistas afirmam que o ritmo cardíaco dos Maias era consideravelmente mais lento do que o do homem moderno. Segundo uma teoria apresentada, as pulsa¬ções destes homens eram 52 por minuto, um número inferior em 20 ao normal. Consequentemente, os Maias, seguros e iso¬lados no seu império da selva, ter-se-iam tornados indolentes e cansados da própria vida.
O ritmo cardíaco do homem moderno, de 75 a 80 pulsações por minuto, pode por vezes provocar úlceras. Mas a alternativa do dinamismo pode ser a morte.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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