segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Novo Mundo Foi Descoberto Por Engano

O orgulho e a obstinação de Colombo abriram o caminho
Quando Ferro, a mais ocidental das ilhas Canárias, se perdeu de vista à popa da embarcação, a tripulação da pequena nau, aparelhada com velas retangulares, benzeu-se religiosamente. À sua frente estendia-se o Atlântico - o vasto e proceloso mar desconhecido.
Apenas o comandante se mantinha animoso. Ordenou à tripulação que navegasse dia e noite em direção a oeste durante 700 léguas. Prevendo o caso de a terra não estar então ainda à vista, levava um falso diário de bordo que mostraria aos marinheiros e onde subestimava deliberadamente a dis¬tância percorrida.
Decorridos 4 dias, a agulha da bússola começou a apontar para noroeste. Confusa, a tripulação pediu explicações sobre a rota. O comandante, tão inseguro como os seus homens, esclareceu as dúvidas atribuindo à Estrela Polar a oscilação da agulha. As va¬riações magnéticas sofridas pela Terra eram então desconhecidas, e o comandante ignorava que a bússola funcionava, na realidade, perfeitamente.
O navio prosseguiu com os 2 outros que o acompanhavam - para atingir, inad¬vertidamente, o Novo Mundo. O nome do navio era o Santa Maria, e o seu coman¬dante, Cristóvão Colombo.
À medida que o tempo decorria, o des¬contentamento aumentava entre a tripula¬ção. Por vezes, as naus apanhavam dias se¬guidos de calmaria. Noutras ocasiões, tem¬pestades e vagas alterosas fustigavam o madeirame dos cascos. Mas Colombo prosse¬guiu, apesar de ameaças de motins.

Aves e madeira flutuante

Trinta e três dias depois de se fazer ao mar no porto de Paios, em Espanha, na sexta--feira dia 3 de Agosto de 1492, o vigia des¬cobriu madeira a flutuar e algumas aves, si¬nal seguro de que estavam próximo de terra. No dia 12 de Outubro, a pequena
frota chegou a uma ilha, denominada Guanahani pelos nativos, de pele escura. Co¬lombo batizou-a de S. Salvador c reclamou a sua posse para a Espanha.
Até ao fim dos seus dias, Colombo acre¬ditou firmemente que as ilhas que desco¬brira se encontravam junto da costa oriental da Ásia.
Mas o navegador continua na História como o homem que, vencendo enormes di¬ficuldades e com um apoio irrelevante, abriu o Novo Mundo aos aventureiros eu¬ropeus.
Muitos dos chamados fatos popular-mente aceites sobre Colombo são inexatos. Por exemplo, ele não era o único homem do seu tempo que acreditava que a Terra era redonda, e não plana. Muitos eruditos c homens de ciência partilhavam deste ponto de vista.
Tão-pouco era a crença .de que o Mundo era plano que levara os reis Fernando e Isa¬bel de Espanha a recusarem inicialmente o apoio aos projetos do navegador genovês, que se propunha tentar encontrar novos caminhos marítimos para as índias.
Quando Colombo pediu o patrocínio real, a Espanha, que despendera quantias con¬sideráveis em guerras consecutivas contra os Mouros, não estava disposta a financiar urna aventura meramente especulativa.

Exigências extravagantes

Em 1491 Colombo reiterou as suas propos¬tas - rejeitadas por D. João II de Portugal, que a rainha Isabel não aceitara devido às extravagantes e audaciosas exigências apre¬sentadas. Colombo pedira para ser nomeado almirante do mar oceânico e vice-rei de to¬das as terras que descobrisse, com o direito a 10% de todos os tesouros que encontrasse na sua viagem.
Finalmente, foi apenas a rivalidade entre a Espanha c Portugal no campo dos desco¬brimentos que levou a rainha a rever a sua atitude e a conceder ao explorador o que este pretendia.
Assim, com 87 homens, entre os quais 3 médicos e l homem para fazer os registros de quaisquer tesouros descobertos, o Santa Maria, a Pinta e a Nina fizeram-se à vela na mais famosa viagem de descoberta do Mundo, rumo a oeste.
Ao chegar ao Novo Mundo, Colombo passou 2 semanas a viajar entre as belas ilhas das Caraíbas, atribuindo nomes espanhóis, em honra do país que patrocinava a viagem, àquelas em que desembarcava.
Realizou mais 3 viagens ao Novo Mundo - e na quarta navegou ao longo da costa da América Central, embora não tivesse desembarcado.
Finalmente, devido à sua ambição e arro¬gância, perdeu os favores reais e, atormen¬tado pela artrite, morreu no dia 20 de Maio de 1506, desapontado e quase esquecido.
Por uma ironia do destino, um ano de¬pois da morte de Colombo o continente por ele descoberto recebeu o nome do seu amigo Américo Vespúcio, um mercador aventureiro italiano pouco conhecido.
Colombo, extraordinário aventureiro, morreu em Valhadolid em 1506 e foi sepultado num mosteiro de Sevilha. Decorreram 30 anos até que a importância dos seus feitos fosse reconhecida, sendo os seus restos reverentemente trasladados para S. Domingos, a atual Repú¬blica Dominicana. No século XVIII, um des¬cendente de Colombo, considerando que o seu antepassado deveria jazer perto da pri¬meira ilha onde desembarcara, removeu-o, as¬sim se julga, para Havana. Porém, quando Cuba obteve a independência, em 1902, o al¬mirante foi novamente removido e trasladado para Sevilha - ou pelo menos assim se pensou. Em 1877 foi descoberta outra sepultura, sob a Catedral de S. Domingos, contendo uma urna com as iniciais C. C. A., que, segundo se su¬pôs, representavam '(Cristóbal Colón, Almi¬rante». No seu interior podia ler-se, numa inscrição: «Ilustre e famoso.cavalheiro, Don Cristóbal Colón.» As cinzas desta urna foram introduzidas em 2 medalhões (acima) e postas à venda em 1973. Mas os compradores mos¬traram-se cépticos, e a cinza de séculos não atingiu o preço mínimo.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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