segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Mediterrâneo Foi Um Deserto

Como & leito do mar revelou o seu segredo

Há cerca de 6 milhões de anos o mar Mediter¬râneo secou, deixando em seu lugar um deserto árido 3000 m abaixo do nível do Atlântico. Depois, o oceano irrom¬peu pelo estreito de Gibraltar e as suas águas caíram em cascata na bacia do Mediterrâ¬neo, na mais espetacular queda de água que a Terra jamais contemplou.
Foi como o abrir de uma torneira gigan¬tesca para encher um recipiente de 3000 m de profundidade e cerca de 3200 km de comprimento - 42 000 km3 de água pene¬traram pela abertura, numa torrente 1000 vezes mais potente do que a do Niágara. Mesmo assim, foram precisos quase 1000 anos para encher a bacia até ao nível que hoje conhecemos, inundando vastas áreas e deixando alguns picos montanhosos acima da água para formar ilhas, como as de Malta e Sardenha.
A prova deste fenômeno surgiu através de sondagens geológicas efetuadas no fundo do Mediterrâneo pelo navio de pes¬quisas americano Glomar Challenger. Em 1970 este navio, quando reunia dados cientí-ficos sobre a teoria do afastamento dos con¬tinentes, atravessou o estreito de Gibraltar e começou a realizar perfurações nos sedi¬mentos pouco resistentes do fundo do mar, à profundidade de 1830 m.
A tripulação de cientistas encontrou, 180 m abaixo dos sedimentos, uma camada de cascalho - pouco vulgar em fundos de mar.
Prosseguiram as perfurações, que permi¬tiram descobertas ainda mais extraor¬dinárias. Os tipos de rocha encontrados abaixo dos sedimentos eram aquilo que os geólogos denominam evaporites, que se encontram apenas cm locais onde o mar secou.
Os cientistas começaram por considerar impossível que o Mediterrâneo tivesse sido um deserto. Porém, o clima da região é seco
e, mesmo atualmente, a água da superfície do Mediterrâneo evapora-se mais rapida¬mente do que a chuva e os rios o enchem. A evaporação processa-se à razão de 3750 km* de água por ano, e apenas o fluxo do Atlân¬tico mantém a bacia cheia.
Suponha-se que, a determinada altura, no passado, o estreito se terá fechado isolando o Mediterrâneo do Atlântico. Decorridos 1000 anos apenas, o Mediterrâneo teria se¬cado completamente, transformando-se num profundo desfiladeiro ressequido, se¬melhante ao Vale da Morte, na Califórnia.
Uma prova final veio confirmar definiti¬vamente a hipótese. Há 70 anos foi desco¬berto, no Sul da França, um desfiladeiro profundo, aberto no granito, que permane¬cera escondido sob depósitos de milhões de anos. Assemelhando-se embora ao leito de um antigo rio, encontrava-se dezenas de metros abaixo do nível do Mediterrâneo.
Embora os cientistas a bordo do Glomar Challenger o ignorassem nessa altura, existia um desfiladeiro exatamente igual do lado oposto do Mediterrâneo, sob o rio Nilo, que intrigara os cientistas russos quando da construção da barragem de Assuã.
Há apenas uma explicação possível: os 2 desfiladeiros foram certamente abertos por rios que corriam para a bacia do Mediterrâ¬neo quando o nível do mar era muito infe¬rior ao atual. Os rios, correndo através do que é hoje o fundo do oceano, abriram desfiladeiros que foram também descobertos no leito do oceano.
Assim, o Mediterrâneo foi um mar, de¬pois um desfiladeiro profundo e quente, com alguns lagos salgados isolados, e, fi¬nalmente, decorrido 1,5 milhão de anos, tornou-se de novo um mar, quando a barreira do estreito de Gibraltar se abriu e a água se precipitou violentamente através dele, vinda do Atlântico.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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