segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Homem Existia Há 2.800.000 Anos

Teorias contrariadas por descobertas recentes na África do Sul

NOS anos 70 verificaram-se em África duas descobertas que perturbaram o mundo da antropologia, pois contrariavam as teorias vigentes e há longo tempo estabelecidas sobre a origem e evolu¬ção da raça humana.
Uma foi a descoberta, no Quênia, de um crânio e ossadas humanas sob sedimentos datados de há cerca de 2 800 000 anos. A se¬gunda foi a constatação de que uma caverna da África Meridional, na fronteira entre a Suazilândia e Natal, fora habitada pelo Homo sapiens sapiens - possivelmente 100 000 anos a. C.
De acordo com a teoria evolutiva ante¬riormente vigente, o primeiro primata que podia ser considerado homem, o Homo erectus, surgiu apenas há cerca de l milhão de anos. No entanto, os ossos desenterrados dos sedimentos da bacia de East Rudolph, no Quênia, tinham mais do dobro dessa idade c revelavam um desenvolvimento consideravelmente superior ao dos desse presumível antepassado do homem.
Segundo os textos de biologia, provavel¬mente os únicos seres humanos que existiam há 100 000 anos eram homens de Neanderthal, de testa proeminente e pernas arqueadas. Não obstante, os restos desenterrados na caverna da fronteira, na África Meridio¬nal, pertenciam indubitavelmente à espécie Homo sapiens sapiens, que se supõe não ter aparecido senão cerca de 35 000 a. C., ou seja 65 000 anos mais tarde.

Arte mineira

Igualmente desconcertantes foram os objetos encontrados junto dos fósseis. Indica¬vam que o homem desenvolvera a sua inte¬ligência e iniciara um processo de civilização muitos milhares de anos mais cedo do que se pensava. Os habitantes da caverna da fronteira já conheciam a arte mineira. Fabri¬caram uma série de instrumentos sofistica¬dos, entre os quais facas de ágata belamente trabalhadas e de lâminas suficientemente afiadas para cortar papel.
Possuíam também crenças religiosas e acreditavam na vida futura. O cadáver de uma criança revelava que, quando do enterro, se procedera a um cerimonial. Esses homens falavam, obviamente, uma linguagem de¬senvolvida, pois não é possível transmitir idéias abstratas, como a divindade e a imortalidade, meramente através de roncos c gestos.
Foi excelente o trabalho de pesquisa rea¬lizado por 2 jovens especialistas sul-africanos em pré-história, Adrian Boshier e Peter Beaumont, que conduziu à descoberta da caverna da fronteira. Em Dezembro de 1970 os 2 homens desenterraram, durante 50 dias, cerca de 300 000 objetos fabricados pelo
homem e ossos carbonizados de animais, muitos dos quais há muito tempo extintos. O carvão correspondente a um estrato supe¬rior de cinzas, mais recente do que aquele onde aparecera o esqueleto da criança, exce¬dia o limite de antigüidade do radiocarbono em cerca de 50000 anos. Imediatamente junto à base da rocha, foram encontrados instrumentos de pedra e uma camada de ocre, sugerindo que a caverna fora ocupada nos últimos 100 000 anos.

Leitos sobreviventes

As condições ambientais da caverna obede¬ciam a todos os requisitos necessários à pre¬servação desses restos ao longo dos tempos. Inclusivamente os ramos, folhas, ervas e penas que haviam servido de leitos mantinham-se intactos. «Praticamente tudo quanto encontramos excedia no triplo a idade que os livros indicavam como prová¬vel», observou Boshier. A descoberta de pontas de seta de pedra situa a invenção do arco há mais de 50 000 anos, enquanto o seu aparecimento na Europa fora anteriormente datado em 15000 a. C.
Ossos cuidadosamente marcados com cortes, encontrados num estrato de há 35 000 anos, indicaram que ]á nessa época o homem sabia contar.
A partir da descoberta dos crânios de 500 000 anos encontrados em Java e perto de Pequim, muitos cientistas haviam-se convencido de que o homem tivera origem na Ásia e se deslocara posteriormente para oeste. Pensava-se que o continente africano era totalmente estranho a este esquema evo¬lutivo.

Gênese africana

Apesar da descoberta do Prof. Raymond Dart, que em 1924 encontrara em África restos de um ser muito mais antigo situado na cadeia evolutiva entre o homem c o ma¬caco, a hipótese manteve-se incontestada até finalmente ser destruída pelas numerosas descobertas realizadas pelos antropólogos ingleses Louis e Mary Leakey, no desfiladeiro de Olduvai, na Tanzânia. Em 1959 os Leakeys surpreenderam o Mundo com a descoberta de um crânio com quase 2 mi¬lhões de anos que pertencera a uma espécie que apresentava afinidades com aquela cujos restos Dart descobrira. Em 1960 encontra¬ram parte da caixa craniana e do maxilar in¬ferior de um pré-humano semelhante, jun¬tamente com instrumentos de pedra lascada que este indubitavelmente utilizara no fa¬brico de armas. Chamaram a este ser o Homo habilts (homem hábil).
Mais tarde, nesse mesmo ano, descobri¬ram fragmentos de um ser mais avançado, o Homo erectus, o primeiro homem que usou indubitavelmente o fogo. Pertencia à mesma espécie dos homens de Java e de Pe¬quim, mas surgira mais de meio milhão de anos antes.
Hoje é a África, e não a Ásia, que se con¬sidera o local onde provavelmente surgiu a raça humana. Talvez seja possível remontar na cadeia evolutiva do homem até aos ossos de 2800000 anos descobertos no Quênia por Richard Leakey. Embora a caixa craniana do ser encontrado no Quênia seja menor que a do Homo sapiens, a sua forma é extraor¬dinariamente semelhante à do crânio desta espécie.
Eventualmente, decorrerão ainda muitos anos antes que os especialistas em pré-his¬tória avaliem completamente o significado destas descobertas- Mas as provas obtidas parecem tornar evidente que o homem mo¬derno evoluiu numa época muito anterior ao que até então se pensava e que foi prova¬velmente numa gruta africana que teve a sua gênese o milagre do desenvolvimento do homem.
PORQUÊ NEANDERTHAL?

Ao atravessar um extenso vale verdejante na zona industrial do Ruhr, na Alemanha Oci¬dental, qualquer motorista poderia esperar en¬contrar homens das cavernas, de arcadas supraciliares protuberantes, perseguindo mamu¬tes ou arrastando mulheres pelo cabelo, pois uma tabuleta rodoviária apresenta a seguinte indicação: «Neanderthal-»
Foi no vale de Neander que, em 1856, fo¬ram encontrados ossos do homem de Nean¬derthal — um elo que faltava na cadeia evolu¬tiva entre o homem e o macaco.
Esses ossos foram desenterrados de uma pe¬dreira por alguns trabalhadores, que, pensando que pertenciam ao esqueleto de um urso, os ofe¬receram a um professor da escola secundária local, Johann Fuhlrott. Quando este começou a reconstituir o esqueleto, compreendeu que os ossos pertenciam a um ser que normalmente caminhava ereto e que parecia consideravel¬mente mais avançado do que o gigantesco gorila africano, então recentemente descoberto.
Fuhlrott concluiu que esse animal represen¬tava um estádio intermédio entre os macacos e o homem e vivera 85 000 a 65 000 anos an¬tes. Mas nos meados do século xixera consi¬derado blasfêmia sugerir que o homem pro¬vinha do macaco. Segundo a Bíblia, interpre sido criados separadamente.
Fuhlrott mostrou as suas descobertas ao eminente antropólogo alemão Prof. Hermann Schaafhauscn, de Bòna. Estupefacto, este exi¬biu o esqueleto numa reunião de cientistas que se realizou em Kasscl, em 1857.
O relatório que Fuhlrott apresentou no en¬contro suscitou apenas o desprezo c a troça. O seu principal oponente era Rudolf Virchow, médico e antropólogo, que declarou que os ossos de Ncanderthal, embora de uma estru¬tura invulgarmente pesada, haviam pertencido a algum ser deformado pelo raquitismo.
Em 1859 o mundo da ciência foi abalado quando Charles Darwin publicou A Origem das Espécies, defendendo o evolucionismo e até certo ponto justificando a idéia de Fuhlrott do cio que faltava na cadeia evolutiva.
Virchow e os seus adeptos encontravam-se entre os milhares de cientistas de todo o Mundo cujas teorias ruíram devido aos prin¬cípios enunciados por Darwin e à descoberta de restos ósseos semelhantes aos do homem de Neandcrthal, de Fuhlrott, em Gíbraltar, França, Boêmia e Morávia.
Provou-se que todas estas descobertas per¬tenciam ao último período intcrglaciário, que terminou há cerca de 65 000 anos.
Fuhlrott estava vingado ... mas havia mor¬rido. No entanto, em sua memória, o elo per¬dido que clc ajudou a identificar mantém o nome de Neandcrthal, o- vale próximo do seu túmulo.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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