segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Homem Que Descobriu A Grã-Bretanha

Descreveu mares congelados - mas ninguém o acreditou

NO seu regresso de uma viagem por mar ao Atlântico Norte, um ex¬plorador grego escreveu sobre a Grã-Bretanha: «A ilha é densamente po¬voada . .. tem um clima extremamente frio .. .» Dos seus habitantes registrou; «São de uma hospitalidade invulgar, de um trato agradável ... A sua alimentação é pouco va¬riada e difere bastante do luxo que nasce da riqueza .. . Esta terra [a Grã-Bretanha] tem muitos reis e potentados que, na sua maio¬ria, vivem em concórdia ...»
No entanto, ninguém o acreditou. Esta¬va-se no ano 310 a. C., e o explorador era Píteas de Marselha.
Durante 2000 anos, embora apreciassem os relatos das suas viagens como obras--primas da imaginação, os historiadores não os consideravam dignos de crédito.
No entanto, Píteas foi o primeiro grego a visitar e a descrever a Grã-Bretanha e o seu povo e, possivelmente, a navegar à vista da costa norueguesa.
Escreveu ele: «O povo da Grã-Bretanha é de costumes simples e muito afastado das astúcias e fraudes do homem moderno [. ..] não bebem vinho, mas um licor fermentado, feito de cevada, a que chamam curmi.»
No tempo da épica jornada de Píteas, as águas setentrionais do Atlântico eram desconhecidas dos seus contemporâneos, habi¬tuados apenas às águas quentes do Mediter¬râneo e, consequentemente, incapazes de acreditarem que ele vira blocos de gelo flu¬tuantes maiores do que o barco onde nave¬gava e ainda que, mais ao norte, o mar se encontrava totalmente gelado e o Sol nunca se punha.
As narrações de Píteas foram desacredita¬das e, embora historiadores gregos que lhe sucederam referissem nas suas obras as suas viagens, a atitude que assumiam perante es¬tas reflete-se em Estrabão (nascido cerca de 63 a. C.), que escreveu: «Píteas diz-nos que Thule [que então se supunha ser uma terra nórdica ainda por descobrir] se encontra a um dia de viagem do mar congelado .. .que este mesmo Píteas viu com os seus pró¬prios olhos - ou, pelo menos, assim no-lo quer fazer crer.»
O que Píteas provavelmente viu foi a costa da Noruega, oculta pela neblina. O «mar congelado», segundo ventilam alguns eruditos, pode ter sido um imenso grupo de medusas.
Dos dois livros escritos por Píteas, O Oceano e Unia Descrição da Terra, apenas al¬guns fragmentos restam. Mas o que os seus contemporâneos sobre ele escreveram per¬mite reconstituir as suas realizações com re¬lativa exatidão.
A viagem de Píteas, a partir de Marselha, prolongou-se por 6 anos, durante os quais ele circum-navegou a Grã-Bretanha, desem¬barcando em diversos locais, onde viu os habitantes da ilha a colherem cereais e a apascentarem rebanhos. Na Cornualha, visi¬tou minas de estanho.
No seu regresso, no ano 304 a. C., afir¬mou que a Irlanda se encontrava a oeste da Grã-Bretanha, do que Estrabão discordou, colocando-a a norte da Escócia, no que foi acreditado.
Aparentemente, Píteas passou o resto dos seus dias tentando, em vão, convencer os seus contemporâneos.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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