segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Europa do Oeste

Dois homens que abriram a rota do Pacífico

CARROS... em frente!» Acompanha¬das por uma rajada de estalidos de chicote, estas 3 palavras evocativas deram início a inúmeras aventuras ao longo do trilho de Oregon, no tempo em que famílias inteiras rompiam com o pas¬sado e partiam em busca de uma vida e uma prosperidade novas no Oeste, inexplorado. Mas foi apenas um único tiro, disparado da margem do rio Missouri no dia 14 de Maio de 1804, que assinalou o início da mais fa¬mosa de todas as viagens, a primeira expe¬dição a encontrar um caminho por terra até ao Pacífico.
Em 2 anos e 4 meses foram percorridos cerca de 12000 km, o que permitiu acres¬centar novos e vastos territórios aos E. U. A., que nasciam como nação.
O presidente Thomas Jefferson pedira ao Congresso 2500 dólares para equipar uma ex¬pedição que seguisse o Missouri até à sua nascente, atravessasse as Montanhas Rocho¬sas e descesse o rio Colúmbia até ao Pací¬fico. Para a chefiar, Jefferson escolheu o seu secretário particular, o capitão Meriwether Lewis, que possuía conhecimentos profun¬dos sobre o território do Noroeste e, além de ser um naturalista, era também um na¬vegador experimentado, e o tenente Wílliam Clark. Segundo as instruções recebi¬das, os exploradores deveriam recolher in¬formações de caráter geográfico e sobre os recursos minerais, costumes e dialetos das tribos índias, vida animal e vegetal e con¬dições climáticas.
Durante o Inverno de 1803-1804, a expe¬dição acampou junto ao Mississipi, perto de S. Luís. Os seus membros recrutaram 43 homens para os acompanhar, na sua maior parte afeitos à vida dura da zona fronteiriça, e reuniram 6 t de víveres c munições, que foram carregadas em 3 barcos.
Segundo consta dos diários de Lewis e Clark, a partida da expedição foi assinalada por um tiro de revólver.
Os homens navegaram por entre terras ricas, onde abundava a caça, especialmente búfalos e alces. Lewis refere no seu diário que «dois bons caçadores podiam abastecer de provisões um regimento completo».
Após 5 meses de uma viagem sem difi¬culdades, chegaram ao território dos Mandans, atualmente no centro do Dakota Se¬tentrional. Os Mandans receberam-nos hospitaleiramente, c os exploradores passa-ram o Inverno entre eles.
Em Abril de 1805 retomaram a viagem, seguindo o curso do Missouri até Three Forks, no estado de Montana.
À sua frente erguiam-se as Montanhas Rochosas. Afortunadamente, um caçador franco-canadiano, Toussaint Charbonneau, e a sua mulher, uma índia de nome Sacaga-wea, haviam-se juntado ao grupo. Embora levasse consigo uma criança de meses, Saca-gawea era uma mulher resistente e pertencia à tribo cujo território os exploradores se preparavam para atravessar.
Graças a ela, os índios mostraram-se acolhedores e forneceram-lhes cavalos para a travessia das Rochosas, embora o caminho fosse tão íngreme e tortuoso que os animais só podiam ser utilizados para transportar mantimentos.
Em breve os alimentos começaram a escassear e o frio da montanha tornou-se tão intenso que ameaçava ulcerar os esfaimados membros da expedição.
Os diários registram: «Acampamos perto de um banco de neve, de 90 cm de profun¬didade. Derretemos alguma e comemos a carne do potro que ontem matamos. Hoje caçamos apenas dois faisões; e os cavalos, que pensávamos sacrificar como último re¬curso, começaram a falhar, pois dois deles estavam tão fracos e cansados que fomos obrigados a abandoná-los.
O caminho foi como o de ontem, ao longo de encostas íngremes, obstruído por troncos caídos, e unia zona de arvoredo com oito espécies de pinheiro, tão densamente cobertos de neve que ela se desprende à medida que passamos e nos encharca e enregela de tal modo que receamos que os pés nos gelem, pois apenas calçamos mocassins.»
Os aventureiros cerravam os dentes e prosseguiam a dura caminhada.
Finalmente, a sua coragem foi recompen¬sada. Chegaram de novo às planuras exten¬sas e acamparam junto de um rio que corria para oeste - o Colúmbia -, construindo no local as canoas em que realizaram a última etapa da sua jornada até ao mar.
Quando chegaram ao Pacífico, depararam-se com chuvas torrenciais, que quase não cessaram durante todo o Inverno.
Na Primavera de 1806 iniciaram a viagem de regresso, desta vez divididos em 2 gru¬pos, para levarem mais longe as suas explo¬rações. Reunindo-se de novo na junção dos rios Yellowstone e Missouri, desceram então facilmente o Colúmbia até S. Luís. No dia 23 de Setembro de 1806 chegaram ao ponto de partida, onde os esperava uma entusiás¬tica recepção.
A expedição falhara apenas num objetivo - encontrar uma passagem fluvial aces¬sível através dos estados do Norte.
Aqueles homens tinham enfrentado ursos pardos ferozes e cobras-cascavéis; haviam vencido a fome e outras privações; Lewis, que fora confundido com um alce, apanhara um tiro de espingarda na coxa.
Mas apenas tinham perdido um homem. Haviam demonstrado que os perigos da rota não poderiam deter homens capazes e determinados. Durante muitos anos ainda, as carroças rolariam para o Oeste, através de caminhos perigosos e difíceis. Mas a porta estava aberta.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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