sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Diamante - A pedra que dura para sempre

A palavra «diamante» deriva do grego adatnas, que significa «invencível» - uma qualificação apropriada à mais dura substância existente no nosso planeta. O mineral, composto de carbono puro, forma-se nas profundidades da terra, sujeito a pressões e temperaturas elevadas.
O peso de um diamante é medido em quilates, cada um dos quais equivale a um quinto de l g, formando 142 quilates l onça. A palavra «quilate» deriva do árabe qirat, nome dado às sementes de uma árvore leguminosa, a Ceratonia siliqua (alfarrobeira), que desde a mais remota antigüidade são utilizadas para pesar o ouro e as pedras pre¬ciosas devido à constante do seu peso - pre¬cisamente um quinto de grama, E o extraor¬dinário brilho dos diamantes que os torna tão atraentes. Um diamante decompõe a luz como nenhuma outra pedra preciosa, refletindo fulgurantemente as várias cores do es¬pectro.
Para adquirir este brilho, a pedra tem de ser cortada com precisão e polida. As linhas de corte são marcadas sobre a pedra, a tinta-da-china, por um lapidador, um perito no corte correto de diamantes, que atende à forma particular da pedra e à sua estrutura atômica.

Diamante corta diamante

Se a pedra tem de ser partida, o lapidador abre nela um pequeno sulco, usando outro diamante como instrumento de corte. Co¬loca o diamante num torno e insere uma lâmina de aço no sulco. Vibrando na lâmina uma pancada forte com um martelo, divide o diamante em dois.
Utiliza-se, para cortar diamantes, um disco abrasivo de bronze fosfórico revestido de pó de diamante e com a espessura de uma folha de papel. Este disco, rodando à velocidade de 4000 r.p.m., leva 4 a 8 horas a cortar um diamante bruto de l quilate. O diamante é seguidamente facetado e polido, usando-se o pó de diamante como polidor.
Em 1866 um garoto bôer guardou na algibeira um seixo bonito que encontrou nas margens do rio Orange. Tratava-se de um diamante que pesava 4 g. Esta foi a primeira descoberta de diamantes na África do Sul, a que se seguiram muitas outras.
Dois anos mais tarde, os prospectores precipitaram-se para a mesma área, depois de um rapaz que ali apascentava rebanhos ter apanhado uma pedra ainda mais valiosa, que trocou por 500 carneiros, 10 bois e l cavalo. O homem que fez o negócio ven¬deu, por sua vez, a pedra por li 200 libras. A pedra, com o peso de 14 g, foi mais tarde lapidada, em forma de pêra, para a condessa de Dudley.
Quando chegaram, os prospectores construíram uma cidade de cabanas, a que cha¬maram Kimberley, nome do então secretá¬rio de Estado das Colônias Britânicas. Al¬guns dos primeiros exploradores enriquece¬ram rapidamente, pois a localização das pe¬dras preciosas encontrava-se claramente as¬sinalada no solo por manchas distintas de argila amarela.
Mesmo depois de a maior parte dos dia¬mantes à superfície ter sido recolhida, ou¬tros foram descobertos numa camada infe¬rior de «terra azul» - nome dado pelos prospectores ao kimberlito.
Finalmente, aos aventureiros seguiram-se as empresas mineiras, que realizaram prospecções até milhares de metros de profun¬didade para arrancar do solo todo o dia¬mante possível. Porém, depois dessas pri¬meiras recolhas de pedras preciosas, de fácil lapidação, a indústria mineira tornou-se um trabalho difícil. Atualmente, em Kim¬berley, é necessário proceder à remoção de 1000 t de terra para se obter aproximada¬mente 30 g de diamantes. Mas as pedras são tão valiosas que este esforço verdadeira¬mente gigantesco resulta ainda rentável.

O Koh-i-Nor

Um dos diamantes mais famosos, e certa¬mente aquele que tem uma história mais longa, é o Koh-i-Nor. Ern 1304 soube-se que esta pedra se encontrava na posse do rajá de Malwa, na índia. Durante os 400 anos seguintes, fez parte do tesouro dos im¬peradores .mongóis, até que, em 1739, Nadir-Xá, da Pérsia, invadiu a índia e apoderou-se do diamante. Em 1849 a pedra foi descoberta na Casa das Jóias de Lahore, capital do Penjabe, quando essa província da índia foi anexada pelos Ingleses.
Em 1850 a Companhia das índias Orien¬tais ofereceu o diamante à rainha Vitória, que, considerando o seu brilho pouco in¬tenso, o mandou lapidar de novo, após o que o seu peso original, de 186,5 quilates, passou a ser de 108,93. Esta pedra preciosa faz atualmente parte das jóias da Coroa Britânica.
Um diamante que, não pertencendo em¬bora à Coroa Britânica, foi negociado em Londres é o Orloff, que pesa 194,8 qui¬lates. Crê-se que esta pedra foi o olho da estátua de Brama, em Madrasta, no começo do século XVIII. Conta-se que um soldado francês arriscou a vida, em 1750, para a ar¬rancar da estátua e a vender seguidamente por 2000 libras ao comandante de um navio inglês, que a levou para Londres, onde um negociante a adquiriu pela quantia de 12 000 libras e, por sua vez, a vendeu em 1773, por uma soma que se desconhece, a um russo, o príncipe Orloff - Em 1917 os revolucionários encontraram no tesouro imperial russo o diamante, que constitui atualmente um dos valores da coleção do Estado, em Moscovo.
Durante a Revolução Francesa, Luís XVI foi desapossado de uma pedra com o peso de 67,1 quilates, conhecida como o Dia¬mante Azul da Coroa. A pedra não voltou a ser vista até que, em 1830, foi vendido em Londres, a Henry Philip Hope, o mais fa¬moso diamante da América, que pesa 44,5 quilates e é indubitavelmente azul, como aquele que desapareceu de França em 1792. O diamante Hope pertence atualmente ao Smithsonian Insritute.
São anualmente retiradas das minas cerca de 5 t de diamantes, a maior parte dos quais se destina à indústria, pois estas pedras pre¬ciosas são os únicos materiais naturais co¬nhecidos próprios para o corte e o talhe de metais duros.
À medida que as minas se esgotam, co¬meça a tomar-se em consideração a possibi¬lidade de obtenção de diamantes do fundo do mar. A Marine Diamond Corporation, da África do Sul, recolheu mais de 2000 pe¬dras durante os primeiros 10 meses em que se dedicou à dragagem de diamantes em águas internacionais.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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