sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A descoberta do petróleo

Um capital líquido sob a terra
Quando Edwin Drake se reformou do seu emprego de guarda de estradas de ferro na América, em 1859, resolveu guardar as suas economias dentro de um buraco que escavou no solo — c tornou-se o possuidor do primeiro poço de petróleo do mundo.
A massa negra e viscosa borbotou à su¬perfície no local de uma antiga aldeia dos índios senecas, a 120 km de Pittsburgo, na Pensilvânia. Segundo o relatório do jovem John D. Rockefeller, enviado por um banco para investigar o poço de Drake, este não oferecia qualquer possibilidade de lucro - uma previsão que o próprio Rockefeller mais tarde contrariaria, ao tornar-se um dos homens mais ricos do Mundo, com uma fortuna baseada no petróleo.
Com ou sem a aprovação de Rockefeller, a Seneca Oil Company entrou em funcio¬namento, assinalando o final da era em que o homem dependia das baleias como fonte produtora de óleo.
No espaço de um ano, o local solitá¬rio transformara-se numa comunidade flo¬rescente, atualmente conhecida como Oil City - Cidade do Petróleo. Os prospectores abriram milhares de poços wildcat, ou seja, perfurados ao acaso numa região cujo grau de produtividade se ignora ainda, na pers¬pectiva de extraírem da terra petróleo para iluminação e aquecimento.
A procura de petróleo no solo tinha por objetivo encontrar um substituto, econo¬micamente acessível, para o óleo das baleias, utilizado nas lanternas. O petróleo, que co¬meçou por ser menosprezado, como um subproduto sem valor, revelou-se de ex¬trema importância no final do século, com o aparecimento do automóvel.
Embora a exploração comercial de um dos mais valiosos e cômodos recursos do Mundo seja um fenômeno moderno, o pe¬tróleo é conhecido há milhares de anos. Os Sumérios, Assírios e Babilônios usaram re¬sina betuminosa, em 3000 a. C., como argamassa para construções e para fixar jóias. O betume formava-se quando o petróleo bruto se infiltrava na terra e emergia à. su¬perfície, onde ficava exposto ao sol.
Durante o seu êxodo, o povo de Israel foi guiado por «um pilar de fumo durante o dia e um pilar de fogo durante a noite», uma descrição perfeita do que acontece quando uma coluna de petróleo se incendeia.
Mais tarde, os Persas e os Árabes colhe¬ram o próprio petróleo, que utilizavam na iluminação e para limpar a seda. Cerca do ano 300, o petróleo era usado pelos Chine¬ses, que o descobriram acidentalmente quando escavavam minas de sal em campos petrolíferos. Tanto os Chineses como os ín¬dios americanos usavam o petróleo como medicamento.
Em 1272 o viajante veneziano Marco Polo descreveu fontes de petróleo na penín¬sula de Baku, no mar Cáspio, onde havia 2000 anos se realizava um culto do fogo em torno dos «fogos eternos» - colunas de pe¬tróleo que ardiam dia e noite. Mas só no século XIX se compreendeu o verdadeiro po¬tencial de tais descobertas de petróleo.
Em 1850 James Young, um químico in¬dustrial escocês, registrou a patente para o fabrico de petróleo bruto a partir de hulha betuminosa e xistos e refinou este petróleo em parafina. A técnica demonstrou ser tão eficaz e o produto resultante tão superior ao óleo de baleia que rapidamente se construí¬ram fábricas perto de minas de carvão na Grã-Bretanha e noutros países.
A fase seguinte era inevitável. Alguns fa¬bricantes realizaram experiências frutuosas com petróleo obtido de pântanos de infiltrações, com o objetivo de ultrapassarem uma das fases de produção de Young. Ha¬viam sido criadas as condições para Edwin Drake iniciar as perfurações destinadas a produzir petróleo natural.
Drake foi um homem afortunado, pois o aparecimento do petróleo, onde quer que este se localize, depende apenas de uma série de acidentes geológicos arbitrários. Segundo se crê, a substância deriva dos restos de¬compostos de incontáveis bilhões de plantas e animais aquáticos de pequenas dimensões que, ao longo das eras, foram esmagados pelo peso das rochas até se transformarem em petróleo. A produção de petróleo tem-se verificado apenas em latitudes tropicais. A deriva dos continentes deslocou os depósi¬tos do Alasca, sob o mar do Norte, e de ou¬tros locais afastados dos trópicos até onde atualmente se encontram.
O petróleo apenas se conserva no interior da terra quando sobre ele existe uma per¬feita vedação de rocha que o impede de ir¬romper até à superfície e que permite, as¬sim, a formação dos reservatórios que os prospectores procuram. Porém, -mesmo os instrumentos mais sofisticados não garan¬tem a existência de petróleo no local da sondagem.
Houve um período em que podiam de¬correr vários dias até ser possível dominar o enorme jacto de petróleo expelido pelo gás natural comprimido. Em 1901, por exemplo, um jacto de petróleo no Texas fez desperdiçar 135 milhões de litros deste pro¬duto.
Só restava metade dessa quantidade de¬baixo do solo quando o poço entrou em produção normal. As modernas técnicas de perfuração já eliminaram este risco.
Porém, por muito que se evite o menor desperdício de petróleo, a quantidade deste produto existente no Mundo é limitada.
Foram necessários milhões de anos para se criarem os depósitos de petróleo; po¬rém, decorridos pouco mais de 100 anos após a descoberta de Edwin Drake, pensa-se que já foi gasto um terço dos recursos pe¬trolíferos conhecidos do Mundo. Não é provável que a oferta satisfaça a procura por mais de 100 anos, por maior quantidade de petróleo que se extraia do fundo do mar.
Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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