sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A cidade dos Maias

O esplendor de uma civilização pouco conhecida
Pouco conhecido, mas de uma magni¬ficência extrema, o império dos índios maias, na América Central, floresceu numa época em que a Europa ainda se debatia no caos sangrento da Idade Média.
Ligava entre si as grandes cidades de pedra dos Maias, agora, na sua maioria, tomadas pela selva invasora, uma rede de magníficas estradas pavimentadas. A mais longa, que seguia em linha reta de Coba, no México, até Yaxuma, percorrendo uma distância de quase 100 km, era demarcada com precisão e cuidadosamente assente sobre uma calçada elevada, como todas as estradas maias. O processo de construção era simples mas eficiente: entre 2 muros de pedra espessa era lançado um enchimento de cascalho, que depois se comprimia por meio de pesados cilindros de pedra.
O império assentava basicamente em 3 grandes cidades - Maiapan, Uxmal e Chi-chen-Itza, das quais Chichen-Itza era a maior.

Um começo lento

Na região seca e sem água, a descoberta de 2 poços de água subterrânea naturais levou à fundação de Chichen-Itza, - no ano 530. A cidade, no entanto, desen¬volveu-se lentamente. Um século após a sua fundação foi abandonada, e assim per¬maneceu durante mais de 300 anos. No ano 984, porém, Chichen-Itza foi de novo ocupada, nela surgindo então um complexo de estranhos e inexplicáveis palácios de pedra.
Em breve o poder dos Maias começou a decair perante os ataques de tribos guerreiras, e em 1201 Chichen-Itza foi conquistada pelos Toltecas e Astecas. No entanto, a tra¬dição e a arquitetura maias foram, sob muitos aspectos, conservadas pelos novos senhores.
A cidade atingiu o auge da sua fama e prosperidade no século XIII, época assinalada pela construção de esplêndidos templos e outros edifícios. As Mil Colunas, que se ali¬nham em torno de uma praça de 20 000 m2 contendo um enorme templo de 4000 m2 e 30 m de altura, datam deste período. Em torno da praça erguiam-se casas senhoriais sobre colunas, jardins submersos, terraços e templos cm forma de pirâmide.
Quem perde, morre
Tal como todas as cidades maias, também Chichen-Itza tinha o seu campo de bola, um recinto retangular de 88,5 m de compri¬mento por 29,5 de largura, onde eram dis¬putados jogos de tlatchli, cm que 2 equipas lutavam para introduzir uma pesada bola de borracha nas balizas dos adversários, consti¬tuídas por aros de pedra colocados verti¬calmente sobre pedestais. A extrema violên¬cia deste jogo causava por vezes a morte de jogadores.
Esculturas em relevo nas paredes de pedra do campo de bola reproduzem a decapitação de um jogador, c os relevos existentes ao longo de uma plataforma próxima represen¬tam crânios espetados em paus- É de venti¬lar a hipótese de que a equipa derrotada so¬fria a decapitação e as suas cabeças eram exibidas na plataforma.
A cidade é famosa também pelo seu Poço do Sacrifício, um lago profundo, ligado à Grande Praça por uma calçada de 270 m, onde eram lançados vivos homens, mulhe¬res e crianças, bem como objetos precio¬sos, para apaziguar os deuses em época de seca. Foram retirados do poço numerosos esqueletos, bem como ornamentos de ouro de requintada beleza e esculturas de jade.
O fim de Chichen-Itza chegou de súbito. Durante 200 anos a cidade manteve-se como a Meca do mundo maia, mas nos mea¬dos do século XV foi, abrupta e inexplica¬velmente, abandonada pelos seus habitantes, que jamais regressaram. Apenas deixaram as ruínas maciças que intrigariam os futuros visitantes, que se interrogariam sobre o que de outro modo seria um recanto esquecido na América Central.

Fonte: O grande livro do maravilhoso e do fantástico – Reader´s Digest

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